Reflexões das minhas viagens - em muitos casos transcrições directa dos cahiers de voyage
Saturday, 20 November 2010
18 Julho 2010 - Casa
Hoje é Domingo. Fomos aos Cascaishopping para gastar o cheque-presente que recebi pelos meus anos. Escolhi um livro sobre a História de Portugal, um acessória para a Wii e ainda sobrava um dinheirinho... Fui ver a secção de viagens e os guias. Logo ao lado estava a estante com os Moleskines e afins. Tendo em conta que estamos de partida para uma viagem longa e há muito tempo sonhada e que esta noite voltei a pensar demoradamente na possibilidade de escrever um livro, a decisão foi muito fácil de tomar. Um caderno de viajante, um livro de notas para uma memória da viagem e dos pormenores associados. Quem sabe, o ponto de partida para um projecto mais prazeiroso e ambicioso. Entretanto, pelas minhas contas faltam 16 dias para o início do trajecto que nos levará a outros dois continentes: Ásia e Austrália, ambos pela 1ª vez. Mesmo que eu quisesse, é dífil explicar a origem do meu fascínio pela Austrália, esse vasto continente pouco explorado, cheio de aventuras de pioneiros, terra vermelha, fauna e flora exóticas e tão long, tão longe de casa - nos antípodas. Desde criança sempre quis, sempre me imaginei na Austrália - um pensamento recorrente, uma ideia fixa, díficil de compreender para muitos. Quase um traço de carácter para quem me conhece bem. Ao longo da vida fui descobrindo sem surpresa outros como eu. Afinal the land down under foi fazendo outras vítimas no seu percurso. Apesar de já ter visto muitos documentários, filmes, lido guias e até livros sobre a Austrália, o que retenho mais é uma liberdade feroz povoada pelo espaço livre e vazio, uma imensidão silenciosa, com dingos e cangurus, crocodilos, a terra encarnada sangue, gretada e seca, os aborígenes com corpos morenos com pinturas brancas dançando em volta da fogueira, os rebanhos de ovelhas a perder de vista, cercas de madeiras com cavalos selvagens que verão o seu espírito quebrado pelos fazendeiros, homens de chapéu na cabeça, atléticos, curtidos pelo sol, mas de bem com a vida... Outra imagem central - o grande Uluru - o espírito do povo, ao qual gostaria de subir e que já imortalizei em quadro (com a ajuda indispensável da minha professora de pintura). Há ainda a ópera de Sydney e as praias com tubarões, surfistas em transe em busca da onda perfeita (Ruptura Explosiva). As minhas memórias levam-me aos tempos do Crocodilo Dundee, de umas séries infantis passadas na Austrália. Temos também o Horizonte Longínquo. Mais recentemente, o fabuloso Austrália. E sei lá que mais... um poderoso conjunto de evocações que me atrai de forma irresistível para essa terra sem lei (Ned Kelly) e apaixonante. Finalmente, depois de toda uma vida a falar no assunto, vou passar à prática. Faltam apenas 16 dias para o início desta jornada. Falta tudo e falta nada. E até rima, abençoada.
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Austrália
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